8 Regras para melhorar seu poema, segundo Osório Duque-Estrada

Letrista do Hino Nacional do Brasil, Joaquim Osório Duque-Estrada (1870 – 1927) foi um poeta, professor e ensaísta brasileiro. Autor de obras como Alvéolos, Flora de Maio, a Abolição, Questões de Português e Guerra do Paraguai, atuou na imprensa brasileira, fazendo criticas literárias e gastando-se em polêmicas. Foi ocupante da cadeira 17 na Academia Brasileira de Letras de 25 de outubro de 1916 até seu falecimento, em 5 de fevereiro de 1927.

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Galicismo: a influência francesa no Português

Uma breve história antes de entrarmos nos exemplos de galicismos. No banco, enquanto aguardava a minha hora de ser atendida, uma palavra, pela primeira vez, chamou-me a atenção: guichê. Soou-me estranha, não portuguesa; assim resolvi ganhar tempo pesquisando a etimologia daquela que me picou a curiosidade. Como imaginado, guichê vem do francês guichet, que, em bom português, significa postigo, ou “pequena porta”. Por ter sido uma grande influência mundial, a França alcançou também o Brasil — a bandeira nacional que o diga — então, fruto do ócio ou da inquietação, comecei a pensar o quanto do francês não passa como língua vernácula, hoje.

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Conto | Um poeta lírico – Eça de Queiroz

Aqui está, simplesmente, sem frases e sem ornatos, a história triste do poeta Korriscosso. De todos os poetas líricos de que tenho notícia, é este, certamente, o mais infeliz. Conheci-o em Londres, no hotel de Charing-Cross, uma madrugada regelada de Dezembro. Tinha eu chegado ao continente, prostrado por duas horas de Canal da Mancha… Ah! Que mar! E era só uma brisa fresca de Noroeste: mas ali, no tombadilho, sob uma capa de oleado de que um marujo me tinha coberto, como se cobre um corpo morto, fustigado da neve e da vaga, oprimido por aquela treva tumultuosa que o paquete ia rompendo aos roncos e aos encontrões — parecia-me um tufão dos mares da China…

Apenas entrei no hotel, gelado e estremunhado, corri ao vasto fogão do peristilo, e ali fiquei, saturando-me daquela paz quente em que a sala estava adormecida, com os olhos beatamente postos na boa brasa escarlate… E foi então que vi aquela figura esguia e longa, já de casaca e gravata branca, que do outro lado da chaminé, de pé, com a taciturna tristeza duma cegonha que cisma, olhava também os carvões ardentes, com um guardanapo no braço. Mas o porteiro tinha rolado a minha bagagem, e eu fui inscrever-me ao bureau. A guarda-livros, tesa e loura, com um perfil antiquado de medalha safada, pousou o seu crochê ao lado da sua chávena de chá, acariciou com um gosto doce os dois bandós louros, assentou corretamente o meu nome, de dedinho no ar, fazendo rebrilhar um diamante, e eu ia subir a vasta escadaria, — quando a figura magra e fatal se dobrou num ângulo, e murmurou-me num inglês silabado:

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